Os comentários sobre as fotos do Peter Hegre merece, a meu ver, alguma reflexão. Primeiro, parece razoável supor que a maneira como uma mulher mantêm seus pelos pubianos não depende exclusivamente do seu gosto pessoal. Claro que há as questões do sentir-se bem, da auto-imagem, do que lhe parece bonito e/ou aceitável, mas a expectativa em relação à opinião do parceiro real ou potencial exerce papel preponderante. Na maioria das vezes, ela mantém os pelos deste ou daquele modo porque é assim que o parceiro gosta – ou ela acha que ele gosta – e pronto.
Se as pesquisas de Bourdieu estão corretas, nossos gostos são socialmente determinados e, eu acrescento, não há como retirar desse “socialmente” a força dos meios de comunicação de massa. Se observarmos as revistas e sites que exploram a nudez feminina, veremos que praticamente todas as modelos exibem bucetas que oscilam entre a depilação parcial e a depilação total. Os tapetes felpudos e as matas densas converteram-se em raridade., admiradas por uns poucos e desdenhadas pela maioria. Tal estado de coisas determina o – e é determinado pelo – gosto dos homens, e influenciafortemente os “modelitos” usados pelas moças, que sucubem à ditadura da gilete ou da cera quente.
Claro que estou apenas conjecturando, pensando alto. Quanto a mim, não sou especialmente atraído pelas muito peludas, nem pelas totalmente lisas, mas não fecho questão a respeito. Primeiro, porque acho que a buceta deve estar em sintonia com a personalidade da dona. Segundo, porque gosto de variações. Tudo que se apresenta imutável me cansa.
Novembro 24, 2006 às 7:24 pm |
Não disponho de tempo neste momento para comentar a tua reflexão; muito menos para reflectir também, Ricardo. Reservo-me pois ao direito de o fazer mais tarde, se é que o direito existe. Após uma leitura diagonal, breve, apressada, um comentário igualmente breve da impressão com que fiquei: a sua reflexão é o mesmo que dizer que as mulheres são mamíferos porque os homens gostam de mamas. E isso, contendo um niquinho de verdade mas muita mentira, coloca as mulheres abaixo de cão. Um apelo: não procure inimizade nas minhas palavras: não tem. Por não ter mesmo, boa noite…
Novembro 25, 2006 às 1:55 pm |
Quem quiser ou puder visitar a Galleria dell’Academia de Florença, em Itália, poderá observar o nu mais famoso e mais conseguido do mundo: “David”, uma escultura de Michelangelo Buonarroti. Quando se olha para David, a expressão e a intensidade do olhar é tão contundente que paralisa o observador e inebria-lhe o cérebro; só com muito esforço o visitante poderá reparar à excepção dos testículos de David (o testículo direito é menor e mais retraído e o esquerdo apresenta-se descaído), tudo o demais é absolutamente simétrico. Não vou deter-me aqui naquilo que qualquer pintor, escultor, fotógrafo, arquitecto, músico ou cirurgião plástico sabe melhor do que eu – a simetria como elemento essencial da beleza. O que quero salientar é antes que no seu conjunto, David, testículos incluídos, é exageradamente perfeito e um homem assim, com milhões de medidas absolutamente ideais, nunca terá existido. Já os egípcios desenhavam nos perfis femininos olhos tão grandes que os implantavam no nariz; nas esculturas gregas, os músculos são tão salientes e trabalhados que os modelos parecem expoentes de culturismo; Picasso exagerou as formas de maneira a que as figuras caricaturassem o real; os modelos desfilam nas passerelles de forma tão exageradamente insinuante e decidida que, se toda a gente caminhasse assim, a largura dos passeios das cidades teriam de ser triplicados; e muitos, muitos, muitos exemplos poderiam seguir-se. Os artistas interpretam o mundo e os homens: e há muito que descobriram que o comportamento humano tem a tendência do exagero, a exaltação do eu, do indivíduo. Poderá isto parecer a filosofia do Reader’s Digest (risos), mas não é: as mulheres pintam os lábios e exageram-lhe os contornos e a forma; calçam sapatos altos para exagerar a sua altura; usam vestuário apertado para exagerar a sua silhueta; deixam as unhas crescer e pintam-nas para exagerar o seu glamour; aumentam as pestanas, minimizam as sobrancelhas e pintam os sobrolhos para exagerar a intensidade e o impacto do olhar; alargam os decotes e reduzem o biquini… “e muitos, muito, muitos exemplos poderiam seguir-se”. Mas raspar os pêlos púbicos não tem nada a ver com o que acabei de exemplificar, porque aqui não existe a dimensão social que ali é determinante: as mulheres não circulam por aí com a púbis exposta. De resto, logo que a mulher chega a casa e toma duche, veste um camisolão largo e compridão e dorme com um pijama estampado com corações vermelhos, flores lilases ou patinhos amarelos. Por isso e a esse respeito, não faz sentido falar em Bordieu; também não acho que as mulheres folheiem as revistas masculinas e visionem pornografia para acompanhar a moda do “corte e costura” da púbis. Para se falar de mulheres é preciso conhecê-las uma a uma. O que se pode dizer é uma generalidade: por que raspam então as mulheres a púbis?… Para exagerar a exposição do sexo e torná-lo mais visível como as revistas masculinas fazem?… Para agradar ao parceiro, homem ou mulher?… Para dizer-lhe “Não tenho mais segredos, estou inteiramente nua e ao teu alcance”?… Não, Ricardo, não. Vaidade nossa, dos homens. Elas pensam nelas, como nós pensamos em nós. A mulher raspa a púbis com o mesmo intuito com que pinta os lábios e alarga o decote: para sentir-se desejada. É o desejo que a move sempre. Em cada gesto, em cada comportamento exemplificado ela grita com a alma (gritar é exagerar o tom de voz): “sou fêmea, deseja-me!”, “sou mulher, ama-me!”, “sou bela, cobiça-me!”. Mas não faz isso para agradar aos homens: faz isso por si e para si mesma: para satisfazer-se e realizar-se como fêmea e como mulher, numa palavra, como feminino.
Novembro 25, 2006 às 7:35 pm |
Pior H,
Desta vez, concordo com alguns pontos do seu comentário. Ao fim e ao cabo, as mulheres ocidentais (assim como os homens) cuidam da aparência para satisfação própria. O individualismo é um bumerangue: vai travestido de altruísmo e volta em sua verdadeira pele de auto-satisfação. Damos esmolas menos por piedade em relação ao outro do que pelo prazer de praticar uma boa ação. Cedemos aos caprichos do parceiro(a) porque a felicidade do outro nos faz feliz, e assim por diante.
Não fui tão longe em minhas conjecturas – eu estava apenas pensando alto, lembra? – mas você está correto nesse aspecto. Isso, contudo, não invalida a referência que fiz a Bourdieu. As opções ditadas pelo gosto são, sim, socialmente influenciadas. É simples confirmar isto. Em fotos eróticas produzidas na década de 1970, por exemplo, as mulheres aparecem sempre muito peludas. A partir da década de 1990 isso começa a mudar, principalmente no Brasil e EUA. Assistimos a revolução da estética das bucetas. E só é possível explicar isso socialmente. É o social se manifestando no individual.
Discordo da sua afirmação de que “para se falar de mulheres é preciso conhecê-las uma a uma”. Se assim fosse, estaríamos impossibilitados para sempre de falar sobre elas, haja vista ser impossível conhecê-las uma a uma. A psicologia e a sociologia nos permitem conhecer a mulher enquanto gênero. Cabe a nós compreender e aceitar as diferenças individuais.
Quem sabe algumas delas se manifestam aqui e contribuem para este nosso esforço de conhecimento?
Em tempo: espero que continuemos discutindo IDÉIAS. Provocações e ofensas pessoais não serão respondidas.
Novembro 28, 2006 às 11:52 am |
Li este post e li Desencontro, tava rindo sozinha, já tive uma discussão muito parecido com um namorado. Será que nós mulheres entendemos errado? risos… Sei lá, Talvez estivéssemos em TPM… risos.
Incrível é que eu tb gosto de variar e isso realmente tem a ver com a personalidade. Pelo menos com a personalidade do momento, ser humano é assim, de fases, e mulheres muito mais.
Ando deixando crescer a “mata atlântica” por alguns motivos.
Um, estou sem namorado e não tendo a quem agradar vou agradando a mim.
Dois, há seculos não a vejo assim. Passei pela fase da “virilha cavada”, “triangulo das bermudas”, “total”… Mas há muito não a via coberta, pudica, misteriosa, uma floresta a ser desbravada… risos.
E finalmente tres, porque adoro causar impacto, e optando pelo não usual, o próximo escolhido vai (talvez) gerar um debate como “Desencontro”… E é tão gostoso contrariar… risos.
Novembro 28, 2006 às 6:21 pm |
Só pra comentar…
(para o pior h do mundo)
“também não acho que as mulheres folheiem as revistas masculinas e visionem pornografia para acompanhar a moda do “corte e costura” da púbis. Para se falar de mulheres é preciso conhecê-las uma a uma.”
E a “uma” aqui fala por si, olho revistas masculinas sim, e comparo sim, e tem moda sim! E mesmo não admitindo, eventualmente seguimos…
“O que se pode dizer é uma generalidade: por que raspam então as mulheres a púbis?… ”
Pq enjoamos das “mocinhas” sempre iguais, pq também gostamos de agradar, por curiosidade, pq é diferente e causa impacto, para seduzir, pq é delicioso ser saciada oralmente qdo ela está raspadinha… Tanta coisa…
“Mas não faz isso para agradar aos homens: faz isso por si e para si mesma: para satisfazer-se e realizar-se como fêmea e como mulher, numa palavra, como feminino.”
Por acaso homens não seduzem para satisfazer-se?! Me senti a madrasta da cinderela agora só por ser mulher… Affffffffffffff… risos
Ainda comentando…
(para Pequenos Delitos)
“Quem sabe algumas delas se manifestam aqui e contribuem para este nosso esforço de conhecimento?”
Espero ter ajudado.
Dezembro 29, 2006 às 11:59 am |
oi tudo bom
Dezembro 29, 2006 às 12:00 pm |
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Janeiro 7, 2008 às 8:12 pm |
realmente, nada por enquanto me acrescentou em intelectualidade ou informação importante. fui>>
Janeiro 12, 2008 às 10:22 am |
Curioso como uma questão simples, mas não simplória, gera tantas conjeturas…