Somos todos, em alguma medida, ciumentos. O cerne da questão é, exatamente, em que medida o somos. Considero razoável conviver com uma pitadinha de ciúme, não mais que isso.
Confesso que exercito com determinação, mas nem sempre com sucesso, o desprendimento em relação às pessoas que amo. Não encho o saco de ninguém. Até porque, considero o ciúme um problema pessoal: o objeto do meu ciúme não tem nada com isso.
O ciúme é um sentimento cruel e inútil. Cruel para quem sente, cruel para a pessoa a quem ele é dirigido e, acredite, completamente inútil. Ninguém deixa de fazer algo que quer muito apenas em respeito ao ciúme do outro.
É de Proudhom, a frase “Toda propriedade é um roubo!”, à qual eu acrescento: e toda tentativa de ser dono de outro alguém é a maior roubada.
Dezembro 1, 2006 às 6:12 pm |
Você tocou num ponto bastante peculiar . Ciúme é um sentimento primário. Todo mundo tem. Excelente abordagem.
beijos
Dezembro 1, 2006 às 7:17 pm |
Taí um assuntinho complicado pra mim… Sou ciumenta, mas não admito o ciúme. Acho que sou bem “mulher” neste ponto. Coisa horrorosa este sentimento.
Dezembro 1, 2006 às 7:20 pm |
Eu vejo as pessoas ciumentas como pessoas nunca estão convictas de seu valor.
Claro que eu já fiz ceninhas de ciúme, birrinha, greve de sexo e de amor, mas com o tempo a gente aprende, amadurece, evolui e descobre e aceita que nada do que existe fora da gente é nosso.
A necessidade de posse, na verdade, a ilusão de posse torna-se um fardo e um obstáculo a auto-estima. Nesse processo não se destrui apenas o objeto da posse como também a si mesmo.
Um conselho aos ciumentos de plantão:
Dê a si mesmo o que precisa receber do outro. Você não é o centro de nada, apenas de si mesmo. Pare de ver o mundo através de olhos egocêntricos. Faça por si mesmo o que espera receber do outro. Na próxima vez que sentir ciúme de alguém porque precisa de auto-afirmação, tente consegui-la por si mesmo!
beijodoceemornoemvocê
Dezembro 2, 2006 às 9:54 pm |
Concordo com a Viviana, em tudo, excepto na forma verbal do verbo destruir. Concordo com você, em tudo, excepto na flexa que é flecha.
Dezembro 2, 2006 às 11:55 pm |
Uia … assunto espinhoso. Tenho ciúmes como quem tem enxaqueca – uma coisa que dói, incomoda e faz sofrer. Mas não costumo atribuir a causa dos meus males ao outro. Acho que o ciúme vira tentativa de posse quando se mistura com a raiva. Quando as pessoas sentem que estão sendo roubadas – de algo que na realidade não possuem, mas …
Infelizmente, sou sofridamente ciumenta. Sinto pontadas na alma como se o dentista tivesse acabado de tocar um nervo exposto. Quando dói demais, não grito. Só peço anestesia … rsrsrsrs
beijo você
Dezembro 3, 2006 às 6:16 am |
Obrigado pelo toque, Pior H. Já corrigi o título.
Dezembro 4, 2006 às 12:22 pm |
Interessante a abordagem. O ciúme é em maior ou menor escala, inerente ao ser humano. Que ele, se não dosado, ou controlado, destrói, destrói sim.
A Viviana bem colocou e das dela, faço as minhas palavras; “Dê a si mesmo o que precisa receber do outro. Você não é o centro de nada, apenas de si mesmo. ” Mas os ciumentos em geral, e na maioria das vezes pregam uma filosofia e adotam outra, na mesma medida em que esquecem de olhar o seu interior.
Já Proudhom não sei se tinha tanta razão, mas concordo com a autora que diz: “…e toda tentativa de ser dono de outro alguém é a maior roubada.”, pois no fundo quem quer ser dono, na verdade parece gostar de estar na posição inversa, só não tem coragem de admitir.